A eleição havia sido convocada pelo atual presidente, Antônio Costa Damascena, o Pikuí, pelo Edital nº 001/2026, assinado em 14 de outubro, com a sessão marcada para as 10h. A antecipação da data foi submetida ao plenário, e os 11 vereadores concordaram com ela. Pikuí chegou a registrar uma chapa para disputar a reeleição.
Ao longo do dia, porém, houve uma tentativa de obstruir a eleição para impedir que a chapa de Igor Gomes concorresse. Entre os episódios apontados, o vereador Igor foi removido do grupo de WhatsApp do Legislativo da Câmara de Cairu. Às 9h25, o vereador Frank do Amparo protocolou o Ofício nº 001/2026, pedindo a anulação do edital e o cancelamento da sessão. O documento alega que o artigo 9º, § 2º, do Regimento Interno fixa a renovação da Mesa em 15 de dezembro ou na última sessão antes do recesso. A data, no entanto, havia sido definida pela própria Presidência e aceita por todos os vereadores. O pedido surgiu apenas na manhã da votação, depois que a disputa passou a ter uma segunda chapa.
Ao constatar a inscrição da outra candidatura, Pikuí deixou o plenário. Com a saída dele, Igor Gomes, que é o vice-presidente, assumiu os trabalhos. Pediu respeito ao decoro parlamentar, defendeu o cumprimento das regras e reafirmou que os vereadores permaneceriam no plenário até o fim do processo. A chapa União e Compromisso, que ele encabeça, reúne ainda os vereadores Bruno Coutinho, Jouglas, Merengue, Sérgio das Alves e Paulinho.
Integrantes da chapa afirmaram nas redes sociais que a internet, a TV Câmara e os microfones foram interrompidos durante a sessão, o que dificultou o acompanhamento pela população. Igor respondeu aos protestos com a frase: "Não vão nos calar!"
A votação terminou com 6 votos para Igor Gomes e 5 para a chapa da oposição. Pikuí, que convocou a eleição e saiu dela antes do fim, perdeu o comando do Legislativo. O episódio deve ter desdobramentos na política de Cairu nos próximos dias.


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